Leite brasileiro emite menos carbono que a média mundial, aponta estudo
A pecuária leiteira brasileira ocupa posição de destaque no debate global sobre sustentabilidade. Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Embrapa Gado de Leite revela que a produção nacional apresenta pegada de carbono significativamente menor que a média mundial, resultado que mostra a competitividade do leite brasileiro no mercado internacional.
De acordo com a pesquisa, a produção no Brasil gera, em média, 1,19 kg de CO₂ equivalente por quilo de leite, enquanto o índice global é de aproximadamente 2,5 kg de CO₂eq/kg. O levantamento avaliou fazendas em diferentes regiões do país, com dados de mais de 24 mil animais e produção anual superior a 160 milhões de litros, adotando metodologias reconhecidas internacionalmente para garantir comparabilidade entre países.
Produtividade é a chave para reduzir emissões
Os resultados mostram que quanto maior a produção por vaca, menor é a emissão por litro de leite. Propriedades com desempenho acima de 25 litros por animal ao dia apresentaram uma pegada média próxima de 0,9 kg de CO₂eq/kg, bem abaixo da média nacional. Isso comprova que eficiência produtiva e sustentabilidade caminham juntas na pecuária moderna.
Tecnologia e manejo explicam o desempenho ambiental
A baixa intensidade de emissões está associada à combinação de genética superior, nutrição balanceada, manejo adequado das pastagens e uso de ferramentas de modelagem alimentar que ajudam a reduzir a produção de metano. A gestão correta dos dejetos também contribui para minimizar o impacto ambiental ao longo da cadeia.
A análise considerou todas as etapas do sistema produtivo, da produção de insumos ao tratamento de resíduos, por meio da Análise de Ciclo de Vida (ACV), metodologia amplamente utilizada em estudos ambientais.
O estudo também identificou diferenças entre biomas, indicando que há espaço para ganhos adicionais de eficiência com a ampliação do acesso à tecnologia e às boas práticas.
Sustentabilidade como vantagem competitiva
Os pesquisadores destacam que os dados fortalecem a imagem do Brasil como fornecedor sustentável e podem ampliar a presença do país em mercados exigentes, além de atrair investimentos ligados à agenda ESG.
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